Ed 102

Categoria: EDITORIAL , Criado em Sexta, 19 Abril 2013 11:32 Escrito por Alesson Alves ,
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Começaremos o editorial desta semana citando uma das diversas demandas que recebemos no VcNaNeT sobre o mau atendimento (não atendimento) nos diversos setores da saúde, em especial nos postos de Saúde e na Santa Casa de Caeté. Contextualizando o fato, contarei a última demanda que nos foi relatada. Na quinta-feira (11), um jovem nos procurou muito desapontado com o não atendimento de sua namorada no sistema de saúde do município.

Ele nos contou que sua namorada foi ao posto de saúde da Pedra Branca, com um caroço em sua região genital e suspeita de gravidez, mas no posto que não tinha médico e ela foi encaminhada  para a Santa Casa de Caeté. Chegando ao hospital, ela foi encaminhada para o ginecologista que estava trabalhando e, de acordo com o rapaz, era o Dr. Gabriel. Contudo, o garoto relatou que ele não quis atende-la porque o caso era somente uma suspeita e não uma gravidez de fato. Não conformado com situação, o rapaz foi ao pelotão da Polícia Militar, onde o policial de plantão entrou em contato com a Santa Casa solicitando o atendimento e que se não fosse possível o atendimento pelo ginecologista, ao menos um clínico geral atendesse a paciente.

De volta a Santa Casa, o rapaz foi atendido pela Dr. Vilian, que a acolheu, realizou o atendimento e relatou a ela que não dispunha do material necessário para realizar o atendimento completo, pedindo a ela que procurasse um especialista na área, no caso, um ginecologista. Em contato novamente com o especialista, o mesmo negou o atendimento pelo SUS relatando que somente atenderia a garota se fosse pago uma consulta particular ou se ela tivesse um convênio. Após esta última tentativa, o rapaz foi embora com sua namorada que não foi atendida. No outro dia, eles foram à Secretária de Saúde, e sua consulta com o ginecologista foi marcada para semanas à frente. Após várias e várias tentativas, ele veio ao jornal pedir socorro e nos relatou seu fardo. Aqui na redação entramos em contato com o secretário de saúde, colocando-o a par da situação e ao que parece o problema foi solucionado.

Casos como o acima citado são mais comuns que se parece, e a meu ver o problema está pautado, principalmente, na falta de transparência e vicio no sistema de saúde do Brasil. Queria falar um dia que o problema da saúde é somente do nosso município, mas não posso. Afinal ele é nacional, mas também não posso eu me calar e acomodar com o discurso que lá fora está pior do que aqui. Em 2011, vimos uma grave ilegal dos médicos da Santa Casa, na época o motivo, que ainda é o mesmo das maiores reclamações de hoje, era o salário. O que não vimos foi uma posição forte pelas instituições que atuavam no setor, afinal GREVE É DE TRABALHADORES, e tem algum médico lá que é funcionário da Casa? É isso aí pessoal, os médicos não poderiam fazer greve, afinal eles trabalham via cooperativa e são seus próprios patrões. Mas como disse acima, a única posição tomada parece ter sido o aumento, que é justo afinal os médicos merecem ser bem remunerados. Contudo, de lá para cá o atendimento melhorou?

A Santa Casa argumenta que tem um déficit mensal enorme com o convênio celebrado com a Prefeitura. Do outro lado, a Prefeitura afirma ter cortado na carne, deixando até de criar  a secretária antidrogas para aumentar o repassasse ao hospital. E olha que mesmo com o aumento, que na visão da Prefeitura foi enorme, o hospital tem um prejuízo de mais de 70 mil (-R$ 71.895,00). Você deve estar se perguntando: se o convênio vem dando prejuízo há anos, como a Santa Casa, que apesar de ser uma associação, tem e deve ser gerida como uma empresa tem conseguido se manter de portas abertas?  A reposta para o ano passado foi dada pelo provedor na reunião da Câmara desta semana: o hospital pegou um empréstimo de 1,5 milhões com a Caixa. O que, com certeza, deve ter sanado as dívidas antigas, mas nos perguntamos, quem irá pagar os mais de R$ 800 mil de prejuízo que será gerado este ano? Não seria uma irresponsabilidade da administração manter o hospital com tal rombo no orçamento? Não seria melhor para a entidade que mantém o hospital passá-lo para ser administrado pelo poder público? Ou alguém da administração aprendeu com Jesus Cristo e está realizando o milagre da multiplicação?

Já nos postos de saúde, o problema crônico é a falta de médicos, onde hoje o comum é ir ao posto e não ser atendido, ora por não ter médico, ora pela limitação de fichas de atendimento imposta pelo médico (hoje 12 por turno), e pior de tudo é que quando você é atendido e o médico solicita exames de média e alta complexidade, tais como mamografia, tomografia, eco cardiograma, ultrassonografia, entre outras, a data para realização é a perder de vista. E pense comigo: se no exame está assim, imagina na hora de realizar uma cirurgia?

Poderíamos falar que para resolver a saúde, a saída é a prevenção e que o investimento em prevenção pelo poder público seria a solução possível para estes problemas, mas nos perguntamos ainda: qual o investimento do atual e dos governos anteriores em prevenção e promoção da saúde? Há quanto tempo não vemos o programa saúde da família visitar nossos lares? Há quanto tempo não temos investimentos do município em saneamento básico? Vão falar sobre a ETE, que será realizada pelo Governo Federal, mas e o distrito do Morro que, segundo relatório do SAAE, mostra que sua água tem alto índice de coliformes fecais e o município não faz nada? E os outros distritos? E os esportes? A secretaria concentra 0,5% do orçamento, não tem recurso para realizar quase nada e como sempre está amarada pela falta de recursos e ferramentas para proporcionar um bom serviço à população. Fato é que a prevenção e promoção da saúde também não parece ser pauta frequente no poder público.

O que vemos é que a população sempre que precisa de alguma coisa na saúde tem que procurar o que chamamos de QI (Quem indica), que é normalmente um político que consegue desde exames a diversos procedimentos dentro e fora do SUS para diversas famílias da cidade. E nos perguntamos, será que isso é errado? Em minha opinião, na ineficiência do poder público em querer consertar ou, pelo menos tentar, é a única solução plausível para diversos de nossos problemas na área da saúde. E para quem não tem o QI, o que resta é rezar e pedir a Deus que não o deixe adoecer...

 

Bom dia.