Ryan Gosling arranca suspiros em Cannes, mas seu filme divide a crítica

Categoria: Cinema e Teatro , Criado em Terça, 20 Maio 2014 22:11 Escrito por G1.com ,
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O ator e diretor Ryan Gosling chega à première de seu filme ‘Lost river’ no 67º Festival de Cannes (Foto: AFP Photo/Valery Hache)Ator estreia na direção com 'Lost river', exibido fora de competição.
Com fila formada duas horas antes, sessão teve aplausos e vaias.

Recebido com empolgação por centenas de mulheres que o esperavam em frente ao seu hotel, o ator Ryan Gosling foi a estrela nesta terça-feira do Festival de Cannes, mas seu filme, "Lost river" - o primeiro que dirige - dividiu a crítica.
O escuro e sangrento longa-metragem, apresentado nesta terça-feira na seleção oficial "Um Certo Olhar", com a sedutora Christina Hendricks , da série "Madmen", era um dos mais esperados deste 67º Festival, e uma fila gigantesca se formou em frente ao teatro duas horas antes da exibição.


Vaias e aplausos foram ouvidos na sala após a projeção do filme, uma espécie de metáfora rodada perto de um povoado submerso em um rio e em casas em péssimo estado nos arredores de Detroit, que evocam o colapso dos bancos e o fim da bolha imobiliária nos Estados Unidos.
Muitos críticos se lançaram às redes sociais para expressar sua aprovação ou rejeição, e alguns se perguntavam se o filme - que também conta em seu elenco com Eva Mendes, namorada de Gosling, que executa danças sangrentas em um sórdido clube - estaria na seção oficial de um dos festivais mais prestigiados do mundo se o seu diretor não fosse um dos atores mais cotados de Hollywood.
Essa foi a opinião de Peter Bradshaw, do jornal britânico The Guardian. "Se Ryan Gosling não fosse um astro, nunca teriam deixado ele dirigir", escreveu o crítico de cinema.
Quase todos concordam que a obra-prima do ator canadense de 34 anos tem a influência do cineasta dinamarquês Nicolas Winding Refn, que dirigiu Gosling em "Drive" - com o qual o diretor ganhou o prêmio de melhor direção em Cannes, em 2011. No ano passado, Refn levou a Cannes o violento "Only God Forgives", também com Gosling, apresentado no concurso pela Palma de Ouro, mas saiu de mãos vazias.
"Gosling absorveu as lições de Refn e assina um filme atmosférico, habitado pela morte, pelos fantasmas e pela loucura", escreveu Christophe Narbonne, um jornalista da revista de cinema Premiere.
Alguns também falam da influência do cineasta britânico David Lynch no filme de Gosling, pelo ambiente, entre sonho e pesadelo, que habita sua obra, e pelas luzes de neon que o inundam.
Ryan Gosling é "um diretor formidável" e "seu filme de pesadelo" é um "produto experimental, que promete", considera o site Les Cinévores, ressaltando a sombra de Lynch, como muitos outros.
Mas o jornal britânico The Times critica todas essas influências, criticando a "miscelânea de Lynch, Refn e Edward Hooper".
Alheias às considerações cinematográficas, muitas mulheres estavam postadas em frente ao hotel de Gosling, ansiosas pela oportunidade de encontrar o ator: "Levarei café da manhã para você na cama, lavarei suas cuecas, farei tudo", estava escrito em um cartaz exibido por uma jovem fã.