Cartas: A Pajelança Dos 300 Anos

Categoria: Minas , Criado em Quarta, 19 Fevereiro 2014 11:19 Escrito por Nelson Alves da Silva - Cientista Social ,
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DSC_0042Gostaria de não criticar as comemorações dos 300 anos de nossa cidade, mas torna-se inevitável ao verificar que os gastos públicos não foram destinados ao povo e sim a uma festa digna dos empresários do setor de entretenimento, mas sem as receitas dos ingressos e com muitas obstruções não explicadas à artistas locais. Um crime hediondo aos olhos dos cientistas sociais como eu, que também deveria ser aos seus, caro sociólogo e prefeito Zezé Oliveira, mas infelizmente não o foi.

O crime citado começou com a divulgação das festividades, onde, apesar de gratuito, não combinava em nada com os anseios da população, afinal não havia nenhum “sertanejo”, “Pagode” ou “Funk” na relação das apresentações, apenas “atrações culturais maiores”, certamente definidas por um grupo de pessoas de altíssimo nível cultural e intelectual cujo o objetivo é impor a cultura ao povo tendo por base sua própria cultura minimizada, ou seja tudo muito distante do povo.

Uma pesquisa vagabunda, que poderia ter sido realizada por você mesmo ao telefone, mostraria este desejo e talvez barateasse a pajelança, mas não, o povo foi contrariado através de um filtro social autoritário, a marca de seu governo, pelo ao menos até agora.

As festividades como as missas, apresentações da Banda de Música, repito “DA BANDA DE MÚSICA” (Caeté deve ter umas 3 no mínimo!!!), feira de artesanato, Rua do Lazer, circo de rua, forma sim uma forma correta de comemorar os 300 anos, como também foi válida a iniciativa do “Grafite a História” e o “Concurso de Fotos”, no restante da programação o povo foi excluído totalmente das festividades, especialmente os distritos que não puderam ir e nem irão comparecer ao “Museu do Cinema”, certamente uma obra fundamental em nosso município dado a produção de vídeos que se faz aqui. Só falta reformar o cinema para servir de palco para o governo entregar mais comendas e colocar adesivos horrorosos nos carros (De quem foi aquela ideia infeliz do adesivo dos 300 anos, do sobrinho do Célio Moreira??? Muito feio e de baixa qualidade... Acho que em um ano nenhum carro o terá, só os Jeeps...).

Voltando a crítica inicial, ao crime hediondo, podemos verificar que a presença do público durante estes eventos foi pequena, e caso eu esteja errado, me perdoe, só calculei o público através da minha visão, imagino que a Prefeitura tenha este controle e pode me desmentir.

Eu vi umas 300 pessoas no teatro do Grupo Galpão e destas um monte de crianças que não devem ter entendido nada da peça apresentada. Eu, particularmente gosto da peça, mas convenhamos que é um texto elaborado demais para festas populares e nem de longe bateu a apresentação anterior do mesmo grupo na praça João Pinheiro a alguns anos, cujo o texto era muito mais popular.

Vi também umas 300 pessoas no cinema durante a apresentação do meu amigo e craque da música Tatá e do chatíssimo Chico Lobo, que definitivamente não cantam músicas populares (Talvez “Peixe-Vivo”...). Sem contar que este tal de Chico Lobo, mesmo recebendo um bom cachê e tendo gente para levar em seu programa “monoassistido”, teve a cara de pau de falar da Serra em seu programa e nada da cidade, nem mesmo perguntou a secretária presente qual o prato principal de Caeté, uma vez que a gastronomia local foi citada como referência, o que por outro lado foi bom, pois a resposta seria “bife acebolado”.

Falando em Tv a única notícia vinculada aos 300 anos foi no MG Tv 2ª edição mostrando, pasmem, a Fanfarra do Senai, digo FEC. Pergunto o que ela tem de interessante para retratar os 300 anos de Caeté, se fosse 50 anos eu até entenderia... no resto apenas citação da cidade por outros motivos, especialmente  os acidentes na BR, nada especial... Lembro que o Festival do Bolinho de Feijão, realizado pela Fundação Israel Pinheiro teve um Terra de Minas especial sobre Caeté.

Vi também o tal “trilhão”, outra obra roubada do governo anterior (Você está se especializando nisto, heim???) que satisfaz apenas a quem tem Jeep ou moto de trilha, coisas de quem já tem a vida ganha e que não valorizam a ecologia, pois sobem morros e descem morros destruindo qualquer ecossistema sem a menor consideração ou fiscalização. Vá a Serra do Cipó ou na Serra do Rola-Moça e tente andar de Jeep sem ser autorizado, mas o ponto é que não é um evento popular, talvez se fosse uma cavalgada...

Vi também muita gente na Seresta da Lua Cheia, que nem estava na programação oficial (Ouvi falar que foi por chilique seu! Acho terrível acreditar nisto, mas seu silêncio demonstra o contrário...), e aqui fica os parabéns ao Ademir Bento pela insistência e pelo sucesso.

Por fim eu vi os dois grandes shows programados, que para a minha surpresa foram limitados a cinco mil pessoas. Se arredondarmos para sete mil, ainda teremos outros trinta mil habitantes desprezados, ou em outras palavras o público dos grandes eventos foi menos da metade dos votos que você, Zezé, obteve nas eleições passadas, menos que o público PAGANTE da Festa do Cavalo do ano anterior e parecido com as festas do vereador Tequinho, sugiro que da próxima vez faça um curso com ele, assim a Prefeitura talvez arrecadasse ao invés de pagar.

Sim Zezé, as pessoas presentes as comemorações sem dúvida gostaram do que viram, mas nem de longe representaram o povo tricentenário da gloriosa Caeté, mas não se preocupe, pois ao abrirem a cápsula do tempo não verão que você gastou recursos públicos para fazer um festão para 15% da população, que os distritos, esquecidos tiveram apenas missas e que nenhuma prestação de contas apareceu.

Ditador Zezé Oliveira onde está o Sociólogo Zezé Oliveira ? Pois ele saberia, pelos ensinamentos aprendidos ou pela pessoa que era, responder a estas críticas com transparência, objetividade e diálogo.

Aliás, o Sociólogo Zezé Oliveira jamais cometeria este crime.

* Nelson Alves da Silva, Cientista Social