Entrevista com o presidente da Câmara de Caeté

Categoria: Cidade , Criado em Domingo, 04 Fevereiro 2018 17:51 Escrito por Nayane Barros Hilario ,
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Entrevista: Portal VcNaneT Entrevista o presidente da Câmara de Caeté  Jadson do Bonsucesso Rodrigues (Pardal)

Jadson do Bonsucesso Rodrigues Pardal

Dando continuidade a serie de entrevistas com personalidades da sociedade e políticos locais o Portal VcNaNeT entrevista nessa semana o Presidente da Câmara Municipal, Jadson do Bonsucesso Rodrigues (Pardal) que fala sobre a sua eleição na mesa e sobre a situação da Santa Casa de Caeté.

Confia a entrevista:

 

Qual a sua percepção neste primeiro mês de mandato como Presidente da Câmara Municipal de Caeté?

Tenho uma visão de continuidade em algumas questões que já foram trabalhadas pelo anterior vereador Guilherme Rosa, mas pretendemos fazer um trabalho diferente. A Câmara por se tratar de um órgão público, fica dependente do seu próprio orçamento e quando eu assumi, o caixa estava zerado. Este fato se deu, pois o gestor anterior definiu que a sobra de dinheiro seria repassada para a prefeitura como forma de contribuir para a calamidade das chuvas de granizo. Estou aguardando a chegada da verba para começar os trabalhos do ano de 2018. Nada de muito relevante aconteceu ainda devido à questão orçamentária, mas em breve iremos apresentar muitas novidades para o povo.

Quais os principais desafios poderá encontrar daqui pra frente?

Na politica os desafios são constantes. A gente que se expõe a vida pública precisa estar sempre pronto para isso. Infelizmente a população acompanha muito pouco o poder legislativo. Eu acredito que a câmara é um setor essencial, ou seja, aqui a gente tem toda a responsabilidade de fazer as coisas acontecerem no município e o prefeito é apenas o gestor. Portanto, quem conduz a conta são os vereadores e nesta nova gestão a frente da presidência da câmara principalmente, iremos trabalhar com o apoio das comissões. Serão nestas reuniões que iremos decidir as principais pautas de trabalho durante o ano. Inclusive, elas são abertas ao público. Além disso, um dos nossos maiores desafios será ter um alinhamento com o poder executivo, pois tivemos um declínio financeiro importante no final do ano passado, mas estamos confiantes que iremos fazer um belo trabalho em Caeté com a nova mesa diretora por mais que o ano seja corrido por termos eleições e copa do mundo em 2018.

Por ter vindo da área da saúde, qual a sua percepção sobre a calamidade que se encontra a Santa Casa de Caeté?

A crise financeira já vem desde meados de 2004. A instituição está correndo um sério risco de ser fechada. Gostaria de deixar claro que estamos brigando pela Santa Casa e não contra ela. O que precisa ser feito é um abraço da sociedade para esta causa. O repasse da prefeitura já é um valor considerável, mas entendemos que ainda não é o suficiente. Hoje, a demanda é grande e as exigências são muito maiores do que há alguns anos atrás, mas isso não pode andar na contramão do acolhimento das pessoas pelo hospital. Todo dinheiro que a prefeitura de Caeté repassou a Santa Casa saiu das arrecadações do próprio município.

Nosso hospital vive uma situação financeira critica. Os funcionários não estão recebendo seus pagamentos em dia. Há notícia de que nem o décimo terceiro foi pago e algumas pessoas saíram e já voltaram de férias e nem se quer receberam seus salários. Qualquer funcionário que não recebe, não vai trabalhar motivado. Precisamos enquanto gestores da cidade fazer com que a população seja atendida de forma correta. O grande problema social causado pela crise financeira da Santa Casa vai muito além daquele lugar. E hoje eu falo isso com muita tristeza. Estamos buscando reverter este cenário em conjunto com as cidades de Nova União, Taquaraçu e seus Conselhos de Saúde.  Precisamos de uma solução para sanar estes problemas da saúde o mais rápido possível.

O meu medo maior seria o fato da Santa Casa ser uma filantropia, ou seja, não tem dono, não consegue ser vendida, corre o risco de fechar e o Estado não está se preocupando muito com isso. E se fechar, será muito difícil reabrir. A prefeitura já fez sua parte, e agora, precisamos encontrar outras formas de trazer mais renda para os investimentos na saúde. A gente vê os postos de saúde funcionando com certa dificuldade e muitas mudanças de regras tanto por parte do Ministério da Saúde quanto da Secretaria de Estado não dão condições dos municípios se adaptarem na mesma velocidade que aumentam os pacientes e as demandas de prestação de serviços à população. E isso não acontece só em Caeté, é no Brasil todo.

 Em relação aos atendimentos de urgência da Santa Casa, as pessoas ainda conseguem ser atendidas, já na parte eletiva (atendimento médico que não é de urgência e nem de emergência), aí já é outro caso que não está sob nosso domínio. Precisamos trabalhar para que a administração do hospital consiga ter novamente autonomia para oferecer serviços de: maternidade, cirurgia geral e pediatria, por exemplo, como era antigamente. Deste modo, diminuiria e muito a necessidade das pessoas saírem daqui para ir buscar tratamento em outas cidades.

Para se ter uma noção da minha demanda com transporte de pacientes de Caeté para Belo Horizonte irei citar alguns exemplos. Em BH, temos uma margem de quatros vagas de exames de alta complexidade por ano e mais de 200 caeteenses esperado na fila. Temos liberação para quatro cirurgias ortopédicas por ano e mais de mil pessoas esperando. Enfim, por mais que a gente ajude ainda não resolve. Muitas das vezes, consigo dar solução para os problemas que chegam até mim, mas eu gostaria que o acolhimento fosse feito aqui em Caeté. Gostaria que as pessoas tivessem atendimento para diversas especialidades e vagas de tratamento para todo mundo. A Secretaria Municipal de Saúde não dá conta de transportar a todos e nós vereadores temos que ajudar. Acredito que se trabalharmos juntos, poderemos encontrar uma solução para a saúde em nossa cidade e ajudar a Santa Casa.

Em sua opinião, quais as principais características que um político precisa ter?

Nada pode sobrepor à ética e a transparência. Em Caeté somos muito próximos da população pela quantidade de habitantes da cidade e quase que todo mundo se conhece. Infelizmente, sofremos o reflexo dos que corromperam a política desde lá de cima no poder.  Eu não carrego consequências de nenhum que me antecedeu, por isso, que cheguei à presidência. Somos 13 vereadores; temos trabalho de segunda à sexta-feira, em horário comercial; ganhamos o salário para trabalhar e cada um tem que ter a sua responsabilidade.

O Estado nos jogou uma situação no colo e parece que todos nós somos corruptos. Eu tenho responsabilidade e tranquilidade para fazer o meu trabalho dignamente. O povo não aguenta mais jeitinho, conchavos e combinados. Chegamos a uma situação caótica na política em que nem sabemos direito quem serão os nossos candidatos à presidência do Brasil. A menos de um ano para as eleições e só temos especulações. Chegamos a uma situação de descrença geral.

Em relação a minha postura profissional, te dou o direto de questionar algo que fiz a partir do momento em que você acompanha meu histórico político. Sigo uma linha mais rigorosa de trabalho em que algumas pessoas não gostam, mas é porque gosto de tudo correto. Crítica por crítica eu desconsidero, mas graças a Deus a população tem se mostrado contente comigo nos meus dois anos mandatos e agora na presidência da câmara. Vou trabalhar pelo povo e para o povo da melhor maneira possível com ética e transparência.

Como foi o processo de sua candidatura à presidência da Câmara?

Já tive uma oportunidade de ocupar o cargo em 2009, mas não assumi. Outros no meu lugar aceitariam por ego ou vaidade, mas eu só encarei quando me senti preparado. Estudei; trabalhei; fui candidato a Presidência da Câmara em 2017; mas não ganhei; em seguida; após consenso do meu grupo de trabalho que se manteve coeso, unido e determinado, agora em 2018 nós vencemos.

Não fizemos promessas, vamos sentar e decidir em conjunto as melhores formas de trabalho daqui pra frente. Não quero ser mais um rosto no quadro da galeria dos políticos que passaram aqui. Nossa mesa diretora: Eu, João Carlos como vice-presidente, o Fernando José da Silva como secretário e o Alex Magalhães como corregedor, queremos fazer a diferença e deixar um legado para a população. Pretendemos reerguer o PROCON, pois é um órgão muito importante na cidade e que no ano de 2017 deixou muito a desejar, por exemplo. Quero trabalhar consciente e prudente, mas vou até onde a minha nova ocupação me permitir, sabendo dos meus limites. E em breve, mesmo na ausência do parlamentar, vamos ter uma pessoa responsável pelo acolhimento e na primeira hora possível iremos dar as devidas tratativas para cada situação. Assim, todos que nos procurarem serão atendidos.

Qual a mensagem gostaria de fazer para os caeteenses e para o aniversário da cidade?

No geral, por mais difícil que esteja nosso cenário político, peço que as pessoas deem um voto de confiança para o poder legislativo e judiciário. Todos nós da Câmara temos as nossas linhas de trabalho, nossas crenças, ideologias e compromisso com o povo. Inclusive, nosso prefeito Luquinha vem trabalhando incansavelmente mesmo após as reduções de orçamentos que deveriam chegar ao município. Temos histórico de prefeitos que estão abandonando os seus cargos devido à dificuldade de se gerir uma cidade sem verba. Mesmo assim, aqui em Caeté, estamos trabalhando para fazer o melhor para o povo.

Estamos aqui na câmara e na prefeitura inteiramente a disposição. Quero que as pessoas procurem mais o poder legislativo, que elas participem mais da política e das tomadas de decisões de Caeté. Nós oferecemos também a opção das transmissões de nossas reuniões plenárias e das comissões ao vivo pelo facebook caso as pessoas queiram acompanhar tudo de casa. 

Ficar longe da política seria a mesma coisa de dar um cheque de cem milhões de reais de reais preenchido nas mãos de uma pessoa sem nem saber onde este dinheiro será gasto. Contudo, ressalto que a politica é nobre, essencial e tem o dever de levar igualdade para todas as pessoas independente da sua classe social ou financeira. Todo mundo precisa ter o mesmo espaço e a mesma condição de disputar o seu lugar na sociedade.