VcNaNeT

  • Aumentar tamanho da fonte
  • Tamanho da fonte padrão
  • Diminuir tamanho da fonte

A CAETÉ QUE ESPERA A VALE

A CAETÉ QUE ESPERA A VALE

 

Cidade ainda não sabe o que esperar do empreendimento bilionário, mas alguns já se preparam para sua vinda.


Após tempo considerável sob certo ostracismo econômico, Caeté vive a expectativa da vinda da mineradora Vale. O projeto Apolo, estimado em US$ 2,5 bilhões e capacidade para produzir até 24 milhões de toneladas de minério de ferro ao ano, vai abranger a área da Serra do Gandarela e englobar mais três municípios: Raposos, Santa Bárbara e Rio Acima. Mesmo sem data definida para início das atividades, a cidade já sonha com os frutos colhidos do empreendimento.

Anunciado esse ano, o projeto se encontra em fase de análise junto com os órgãos ambientais. Até a aprovação, tanto mineradora quanto poder público municipal pouco podem a dizer a respeito. Dúvidas quanto à arrecadação de impostos, as vias de escoamento da produção e impacto ambiental da área viraram assunto quase que obrigatório entre a população, que se apega às especulações.

Segundo a Prefeitura Municipal de Caeté, está sendo elaborado um planejamento estratégico, em parceria com a Universidade Federal de Minas Gerais e a Fundação Vale, que indicará quais ações deverão ser feitas para que o município receba o empreendimento. Obras de infraestrutura, alterações no Plano Diretor, Plurianual e Leis Orçamentárias são alguns dos pontos desse planejamento. A data para conclusão dos estudos - que, segundo a prefeitura, serão realizados “com total transparência” - não foi divulgada. O órgão informou, ainda, que nenhuma das obras em andamento na cidade tem a ver com a mineradora.

Responsável pelo relatório sobre o impacto econômico e social das cidades que receberão o projeto Apolo, o professor e ex-ministro Paulo Haddad admite que, na fase de implantação da atividade mineradora, é possível que haja problemas relacionados à infraestrutura urbanística do município. Ele explica que tais questões serão resolvidas ao longo do tempo a partir das instâncias municipal, estadual e federal. “O aumento da arrecadação tributária das prefeituras dará à administração maior flexibilidade para realizar novos investimentos. Em segundo lugar, dada a importância dos investimentos do projeto, o Governo do Estado deverá dar prioridade aos seus investimentos para os quatro municípios. Finalmente, há projetos que poderão ser negociados junto ao Governo Federal”, diz.

De acordo com o estudo dos impactos econômicos gerado pelo Apolo, mais de R$ 17 milhões é o valor estimado em compras que serão feitas diretamente nos quatro municípios durante a fase de operação plena do projeto. A massa salarial direta, terceirizada e induzida é estimada, por ano, em mais de R$ 124 milhões. Não é possível especificar, contudo, como será a divisão desse montante e quais e de onde virão as 8.253 forças de trabalho que serão empregadas na mineração.

De olho nas prováveis oportunidades que vão surgir, muitos já se preparam. É o caso da classe empresarial, que não quer perder os bons negócios da mineração. Segundo o presidente da Associação dos Comerciantes de Caeté (Aciac), Wilson Teixeira dos Santos, a instituição está oferecendo aos seus cem associados uma espécie de assessoria acerca do projeto Apolo. “Vamos dar treinamentos focados nas principais exigências da Vale. Estamos estudando também formas de financiamento para novos empreendimentos e melhorias nos negócios. Outro ponto é a consultoria jurídica, para auxiliar os empresários na assinatura de contratos”, explica.
 
Wilson enfatiza que o grupo não quer apenas o crescimento em cadeia, gerado pelas compras indiretas da empresa, mas sim ser fornecedor direto do empreendimento. Para ele, a instalação da mineradora vai gerar, além dos aspectos econômicos positivos, uma mudança de mentalidade. “Acredito que a cidade vai ficar mais preparada, com a mente mais aberta para receber outros empreendimentos, se capacitar e investir”, fala.

No setor imobiliário parece que os investimentos já começaram. Segundo pessoas do ramo, a notícia da vinda da Vale já elevou os preços dos aluguéis e das vendas de imóveis. “As pessoas estão investindo e construindo, o que é bom. O lado ruim é que o aumento dos preços veio antes da Vale e, enquanto isso, a renda per capita da população continua a mesma”, fala Amilton Almeida, dono da RG Imóveis.
Para ele, Caeté tem uma grande carência de imóveis, o que se explica, em parte, pela limitação do perímetro urbano, que é cercado por matas. Assim, a tendência seria a verticalização da cidade, o que parece já estar acontecendo. “Terá de haver políticas públicas voltadas para a urbanização, para impedir a ocupação desordenada e formação de favelas”, diz.
 

Add comment


Security code
Refresh

MAMONA

MAMONA * Márcio Lima Quando criança eu tinha uns tipos de preocupações esquisitas. Vou citar duas delas que me lembro agora. Uma era a preocupação de que um dia não ia mais ter lugar para tanto lixo. E eu ficava imaginando onde iam colocar o lixo. Cheguei ao cúmulo de imaginar que iam criar...

EM BUSCA DO EQULÍBRIO ECONÔMICO, SOCIAL E AMBIENTAL

EM BUSCA DO EQULÍBRIO ECONÔMICO, SOCIAL E AMBIENTAL * René Renault Cabe ao município protagonizar o planejamento e a execução de programas voltados para a ordenação concreta do seu território, para atendimento e disponibilização dos serviços e equipamentos públicos, com vistas ao...

Entrevista com Paulo Haddad Sobre Projeto Apolo

 Entrevista com Paulo Haddad Sobre Projeto Apolo Consultor Paulo Haddad fala com exclusividade ao CAETÉ: O ex-ministro, através de sua consultoria foi quem elaborou os estudos dos impactos social e econômico originários do projeto Apolo que a Vale vai instalar no município. CAETÉ: Qual...
Faça aqui o seu Login Ainda não tem cadastro clique em registrar e Cadaste-se grátis

AddThis

AddThis Social Bookmark Button

BlastChat Client 3.2.2 module

We have 67 guests online